domingo, 3 de julho de 2011

Introdução Histórica ao Martinismo Napolitano


Como já dizia Mestre Nebo: “ Sob o nome de Martinismo Napolitano, designa-se o grupo de discípulos de Eliphas Levi na cadeia martinista estabelecida no reinos das duas Sicílias, e igualmente descendentes na cadeia do Barão Nicola Spedalieri que era napolitano.”
Além de Spedalieri, que é um grande sustentador da tradição nesta região, devemos citar o advogado Giustiniano Lebano, de Torre Annunziata, Nápoles, que é autor de muitas obras ocultistas. Este foi um refugiado político na França e foi iniciado por Eliphas Levi na Magia Transmutatória. Retornou à Itália após a unificação, aposentado fixou-se na região aos arredores do Vesúvio onde se dedicou a ensinar e praticar a doutrina Martinista. Lebano faleceu no início do século passado, deixando um grande legado no campo místico.
Outro napolitano da região de Portici, nos arredores do Vesúvio, foi Pasqualle de Servis, que emigrou para Paris à negócios, entrando em contato com o Círculo de Eliphas Levi, sendo aceito discípulo do Mestre. Sempre nutriu interesse especial pela astrologia, sendo o “anônimo napolitano” que assina o livro “Lunação”, publicado pela primeira vez por Kremmerz, que sempre recusou a autoria deste livro. Pasqualle de Servis, conhecido pelo nome místico de Izar, regressou com dificuldades para Itália tendo se hospedado na casa de Kremmerz, de quem foi o primeiro instrutor.
Junto de Spedalieri e Lebano, De Servis foi responsável pelo cultivo de discípulos martinistas na Itália. Além de Kremmerz, um outro discípulo martinista, primeiramente sob os cuidados de Lebano e depois sob a guarda de Spedalieri, foi Gaetano Petriccione conhecido pelo nome místico “Morienus” que tornou-se um estudante da Arte Real e foi devidamente nela iniciado. Muitos foram os martinistas da região da Sicília e da Itália Meridional que foram iniciados pelo Irmão Morienus, dentre os quais figurava Philaletes Jatricus Martini. Igualmente, o Irmão Kremmerz procedeu com instrução à discípulos do Martinismo por toda a Itália e até mesmo residentes na França.
O Martinismo Operativo na Itália têm, nestes dois Irmãos, sua origem estabelecida e fortificada, mesmo que para alguns historiadores estes não sejam os mais famosos e populares martinistas. Mesmo Kremmerz é reconhecido mais por seu movimento, depois chamado de “kremmerzianismo”, do que por sua importante contribuição como um verdadeiro “martinista napolitano”, e mesmo sua escola pode ser considerada uma variação ou braço daquilo que é ensinado no Martinismo, bastando que se consulte as fontes de sua obra e encontrando nomes como Eliphas Levi, L. C. Saint Martin, Martinez de Pasqually, e melhor que suas fontes, é consultar e ler o conteúdo da obra de Kremmerz para notar claramente seu teor martinista. Podemos citar ainda, sua contribuição para a revista martinista “O Tanathos”, em 1923, e sua participação na comissão de redação da mesma. Lembramos ainda que Abbian diz que Lebano e seu discípulo “o Gigante”, que faleceu em 1968, possuía muitos instruídos dentro os quais Francesco Proto Atrani (1889-1957) e Don Luigi Ciardiello Bourbon da França, conhecido como Irmão Argonauta, que por sua vez foram responsáveis por iniciar muitos na Arte Real.