quinta-feira, 7 de julho de 2011

Giuliano Kremmerz


Ciro Formisano, conhecido publicamente com o nome iniciático de Giuliano Kremmerz, nasceu em Portici, próximo de Nápoles em 8 de abril de 1891. Travou seus primeiros contatos com estudo e prática do hermetismo através de Pasquale de Servis (1818 – 1893) na esfera iniciática conhecida como “Izar”. O velho professor reconheceu nele um grande iniciado, vivendo muitos anos como inquilino no apartamento pertencente aos Formisiano, tornando-o muito afeiçoado ao jovem Ciro. Assim que alcançou a maioridade, Ciro foi admitido junto aos Izar através do Grande Oriente Egípcio, última manifestação de uma antiga tradição iniciática que vinha sobrevivendo à passagem do século.

O jovem Ciro, de apenas 17 anos, já era habilitado na área de ensino nas matérias de literatura italiana, geografia e história, para a província de Nápoles. Alcançou seu doutorado em literatura pela Universidade de Nápoles, em 1883, dedicando-se ao jornalismo e à educação. Em 1896, Giuliano Kremmerz fundou a Fraternidade Terapêutico-Mágica de Miriam (Fratellanza Terapeutico-Magica di Miriam) [I] , “seguindo o exemplo dos antigos sacerdotes egípcios, de cuja recente representação temos a Rosa-Cruz”.

No mesmo período, as próprias custas, iniciou a publicação do fascículo “O Mundo Secreto” ( “Il Mondo Secreto”), revista que sucitou um grande número de interessados e muitas controvérsias. Alguns iniciados, que sempre consideraram a Magia como um privilégio reservado a poucos e escolhidos, não toleravam tal divulgação aberta e publicação impressa a respeito do assunto. Giuliano Kremmerz, no entanto, propôs sempre assuntos gerais da Magia Natural em suas publicações, reservando do grande público questões mais complexas e que só são transmitidas de modo pessoal e confidencial.

Suas referências à “Magia Transmutatória”, em verdade, sempre foram discretas, de modo a deixar pistas aos reais interessados. O Mestre nunca foi explícito em informações que só poderiam ser transmitidas de modo direto e pessoal. Com a Fraternidade de Miriam, Kremmerz restabeleceu a prática do hermetismo como método terapêutico, tornando-o mais acessível aos interessados, fato que não era uma profanação, mas uma revitalização.

Neste sentido, o mérito do Mestre Kremmerz foram muitos:

  • Resgatando a Magia de séculos de ignorância, negligência e obscurantismo, esclarecendo aos interessados mas temerosos, aos ignorantes e ao público em geral do que se tratava esta ciência, proporcionando toda a teoria em linguagem acessível e práticas simples e compreensíveis, mantendo ainda independência de movimentos como a teosofia e o espiritismo que polarizavam a visão da sociedade da época.
  • Valorizou sempre os conhecimentos das Tradições místicas e mágicas ocidentais, especialmente italianas, protegendo-as da possível influência ou mesmo esquecimento perante o crescente movimento orientalista.
  • Possibilitando o ensino das práticas e treinamentos iniciáticos a partir de graus mais baixos, possibilitando a dedicação de sinceros buscadores.
  • Deixou como herança além de sua Fraternidade um certo ramo Napolitano da Tradição Martinista.

Ciro Formisano, mais conecido como Giuliano Kremmerz, faleceu em Beausoleil, aos 7 dias de maio de 1930. Hoje é uma das referências do hermetismo e resgate da tradição hermética no século XX.


[I] A Fraternidade de Miriam “ foi fundada sobre as bases do Amor aos seres humanos” e “se ocupa exclusivamente da medicina oculta, em benefício de seus membros, Irmãos e Irmãs, e de todas as pessoas que sofrem física, moral ou espiritualmente, e que podem buscar nela um meio de cura”, sendo que todas as despesas da Fraternidade “ são cobertas por doações e ofertas espontâneas de seus Irmãos e Irmãs, dos beneficiados em geral e seus Terapeutas.”

domingo, 3 de julho de 2011

Introdução Histórica ao Martinismo Napolitano


Como já dizia Mestre Nebo: “ Sob o nome de Martinismo Napolitano, designa-se o grupo de discípulos de Eliphas Levi na cadeia martinista estabelecida no reinos das duas Sicílias, e igualmente descendentes na cadeia do Barão Nicola Spedalieri que era napolitano.”
Além de Spedalieri, que é um grande sustentador da tradição nesta região, devemos citar o advogado Giustiniano Lebano, de Torre Annunziata, Nápoles, que é autor de muitas obras ocultistas. Este foi um refugiado político na França e foi iniciado por Eliphas Levi na Magia Transmutatória. Retornou à Itália após a unificação, aposentado fixou-se na região aos arredores do Vesúvio onde se dedicou a ensinar e praticar a doutrina Martinista. Lebano faleceu no início do século passado, deixando um grande legado no campo místico.
Outro napolitano da região de Portici, nos arredores do Vesúvio, foi Pasqualle de Servis, que emigrou para Paris à negócios, entrando em contato com o Círculo de Eliphas Levi, sendo aceito discípulo do Mestre. Sempre nutriu interesse especial pela astrologia, sendo o “anônimo napolitano” que assina o livro “Lunação”, publicado pela primeira vez por Kremmerz, que sempre recusou a autoria deste livro. Pasqualle de Servis, conhecido pelo nome místico de Izar, regressou com dificuldades para Itália tendo se hospedado na casa de Kremmerz, de quem foi o primeiro instrutor.
Junto de Spedalieri e Lebano, De Servis foi responsável pelo cultivo de discípulos martinistas na Itália. Além de Kremmerz, um outro discípulo martinista, primeiramente sob os cuidados de Lebano e depois sob a guarda de Spedalieri, foi Gaetano Petriccione conhecido pelo nome místico “Morienus” que tornou-se um estudante da Arte Real e foi devidamente nela iniciado. Muitos foram os martinistas da região da Sicília e da Itália Meridional que foram iniciados pelo Irmão Morienus, dentre os quais figurava Philaletes Jatricus Martini. Igualmente, o Irmão Kremmerz procedeu com instrução à discípulos do Martinismo por toda a Itália e até mesmo residentes na França.
O Martinismo Operativo na Itália têm, nestes dois Irmãos, sua origem estabelecida e fortificada, mesmo que para alguns historiadores estes não sejam os mais famosos e populares martinistas. Mesmo Kremmerz é reconhecido mais por seu movimento, depois chamado de “kremmerzianismo”, do que por sua importante contribuição como um verdadeiro “martinista napolitano”, e mesmo sua escola pode ser considerada uma variação ou braço daquilo que é ensinado no Martinismo, bastando que se consulte as fontes de sua obra e encontrando nomes como Eliphas Levi, L. C. Saint Martin, Martinez de Pasqually, e melhor que suas fontes, é consultar e ler o conteúdo da obra de Kremmerz para notar claramente seu teor martinista. Podemos citar ainda, sua contribuição para a revista martinista “O Tanathos”, em 1923, e sua participação na comissão de redação da mesma. Lembramos ainda que Abbian diz que Lebano e seu discípulo “o Gigante”, que faleceu em 1968, possuía muitos instruídos dentro os quais Francesco Proto Atrani (1889-1957) e Don Luigi Ciardiello Bourbon da França, conhecido como Irmão Argonauta, que por sua vez foram responsáveis por iniciar muitos na Arte Real.